Duas imagens, mesma árvore, mesma estação e quatro anos de diferença!
A primeira foi em 2014 e a segunda em 2018.
Lembro que na primeira foto, eu olhei pra essa árvore e imediatamente resolvi registrar, me via como aquela flor, mix de sentimentos, muito medo, medo de seguir em frente e fracassar, em um ambiente totalmente novo fazendo por mim e fazendo sozinha.
Tinha acabado de finalmente conseguir me desprender de um relacionamento obsessivo que durou cerca de 11 anos, mas o sentimento não era de liberdade, era de solidão, muito medo e angústia, envolta de uma depressão intensa com crises de pânico, insônia, vício em remédios e distúrbios alimentares.
Uma fase importante e tão delicada que quase me fez cair em tantos perigos, que eu não me dava conta…
Em 2014 sentia um vazio tão grande que me coloquei duas opções, a 1ª fazer uma mochila e ir de ônibus e carona até o Chile, sem avisar ninguém e sem data pra voltar, ou passar no vestibular em Design de Moda. Eu estava um pelo outro e acabei entrando na faculdade, e essa primeira foto, foi no caminho do 1° dia de aula. Essa flor me hipnotizou, e eu me vi ali representada, me sentia como ela, sozinha e tudo envolta parecia “morto”.
Essa árvore de Ipê amarelo ficava no caminho da faculdade, então todos os dias durante 4 anos, eu passei por ela neste caminho, vi ela florescer, se encher de flores e secar novamente seus galhos, mas uma coincidência interessante, foi a de ver nesse estado com uma única ponta de galho com flor somente no 1° dia e no último (voltando pra casa) em que fiz esse trajeto. Isso não precisa fazer sentido pra mais ninguém além de mim, eu aprendi que quando estive no limite de esgotamento mental ou no mais profundo abismo da minha saúde emocional e perdida dentro de mim, que se agarrar em qualquer coisa é válido. Vale TUDO pra sair dali e seguir em frente. E durante estes 4 anos, este não foi a maior das circunstâncias em que me agarrei pra confortar ou simplesmente amenizar algo aqui dentro, mas foi interessante, eu me sentia ACOMPANHADA, sentia uma presença, e dependendo da estação e de como eu me sentia, olhar pra essa árvore me trazia alguma mensagem silenciosa e sempre compreensiva e mais ainda, muitas vezes positiva!
Mais tarde descobri que o Ipê amarelo simboliza Resistência e Durabilidade: O ipê amarelo é uma árvore extremamente resistente, com madeira dura e duradoura, o que simboliza força e resiliência. Sua capacidade de florescer em meio ao inverno também simboliza a esperança e a renovação, MESMO EM DIAS DIFÍCEIS.
Além de Beleza e Alegria: As flores amarelas do ipê representam a beleza e a alegria. O amarelo é uma cor associada ao sol, à luz e à energia, simbolizando também a vitalidade e a alegria de viver.
Na cultura popular, o ipê amarelo é visto como um prenúncio da primavera, sendo um lembrete da beleza e do CICLO CONTINUO DA VIDA. Suas flores, que caem formando um tapete amarelo ao redor da árvore, são admiradas e reverenciadas em diversas partes do Brasil.
E eu só fui atrás de pesquisar sobre a simbologia desta árvore depois desse ciclo, porque quando ví no último dia, voltando pra casa com aquele sentimento de, “okey, e agora?” me despertou a vontade de colocar sentidos mais concretos naquilo tudo que parecia uma sequência enorme de coincidências…
Durante estes 4 anos, minha depressao estava tão enraizada, que me permitia fazer as coisas, mas também deixar de fazer e me aprofundar nos meus pensamentos obscuros, absurdamente encolhida na cama por 3 ou 4 dias seguidos e depois voltar, sem que ninguém percebesse e continuar, mas ainda sim com pensamentos obscuros.
Eu fiz um combinado comigo mesma, e decidi que viveria pelo SIM das coisas, ia dizer sim pra TUDO que me aparecesse, só pra não me afundar em pensamentos su*cidas, compulsão por remédios e distúrbios alimentares, ou o pior, voltar ao relacionamento. Definitivamente, essa não foi nem de longe uma das minhas melhores ideias, e me levou pra cada situação que hoje, somente hoje eu percebo o quanto fui guardada e protegida por Deus, que até hoje, nas minhas orações quando me lembro dessa fase, eu digo, “poxa Deus, eu dei trabalho, né?!”
[Continua…]
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