10:42 do dia 30.

São quase 11hrs da manhã, estou a caminho da minha zona eleitoral, assim como milhares de pessoas também estão utilizando o metrô aqui de SP. Tá tudo silencioso de um jeito esquisito, principalmente dentro de mim. Dentro de mim, uma ansiedade remetendo a angustia, leve aflição e medo que com esse silêncio quase que generalizado destacando ainda mais estes sentimentos e os transformando em uma atmosfera destas energias.

Semana passada ouvi mais uma história sobre um assunto que me toca profundamente:
Haviam duas pessoas realizando um trabalho manual de separação de alimentos doados para montar cestas básicas que serão doadas, até que ali apareceu uma mulher pedindo ajuda. Ela perguntou as duas pessoas o que vinha na cesta e eles explicaram, que sempre alimentos e quando tudo dava certo colocavam também alguns produtos de higiene como Shampoo, sabonete, pasta de dente... Ela disse que aceitava e perguntou se ela poderia pegar uma cesta básica, e apesar de ali não ser um lugar de distribuição, responderam prontamente que sim e começaram a conversar brevemente enquanto montavam uma cesta para entregar a ela, a instituição costuma fazer cadastros das famílias que eles ajudam, mas em apenas alguns minutos de conversa a mulher que havia pedido a ajuda se sentiu na liberdade de pedir que eles separassem apenas um punhado de arroz e outro de feijão para que ela pudesse cozinhar só naquele mesmo dia, os dois ouvintes estranharam e questionando, explicaram que não fazia sentido e que eles entregariam a cesta inteira no endereço dela sem qualquer custo, e ela se explicou: - "Na verdade eu vim aqui porque eu realmente não tenho nada pra comer hoje, e se eu levar esta cesta básica inteira pra casa, o meu filho vai trocar por drogas e vamos continuar sem ter o que comer, então seria ótimo se eu pudesse levar só um punhado de arroz, feijão e café, só pra eu fazer hoje pra mim e pro meu marido, porque se a comida estiver feita ele não consegue trocar pra usar droga. E pode me dar só um pedacinho sabonete e um pouco do Shampoo também?!" E um deles ainda perguntou; - Mas como assim? Ele troca o pacote aberto por droga? E a mulher respondeu; - "Moço, eu não posso ter nada na minha casa! Eu só tenho 1 panela pra cozinhar, 1 cobertor pra dormir, eu não tenho mais roupas e nem posso ter, nem eu e nem meu marido, porque ele troca tudo pra usar drogas, se eu levar todos estes alimentos, mesmo depois de aberto, ele vai trocar por drogas e nós vamos continuar sem ter o que comer. Seria ótimo se eu pudesse levar num saquinho só a quantidade pra fazer hoje."
E então ele respondeu: - " Vamos fazer o seguinte, toda essa cesta é sua, eu te dou agora a quantidade que você quiser levar hoje, e a sua cesta vai ficar aqui no cantinho, guardada pra você e você pode vir aqui aqui todos os dias que tiramos a quantidade que você quiser levar e mantemos seus alimentos guardados aqui." Ela agradeceu e assim eles estão fazendo.
Infelizmente esta não é uma história isolada, em uma mateira de 24/junho de 2021 no site da unodoc.org, cerca de 275 milhões de pessoas usaram drogas no mundo em 2020, enquanto mais de 36 milhões sofreram de transtornos associados ao uso de drogas, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2021.
Só quem convive ou já conviveu com alguém que diariamente perde o prazer pela sua vida para o vício em drogas, é que entende o significado da dor de histórias como a que acabei de compartilhar.

A verdade é que este assunto divide opniões, de um lado o prazer e do outro a proteção, podendo ser defendido com falas até muito boas, porém superficiais ditas geralmente por pessoas que não entendem a profundidade do dano. Não existe empatia maior do que abrir mão de um prazer tão raso e momentâneo, não essencial, se isto fizer com que mais pessoas possam experimentar a alegria da liberdade de viver em paz!

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